
Hoje teremos duas postagens, porque hoje é uma data especial para o meu coração ( nossa, tô emocionada) , é dia 27 de janeiro, data marcante na história da cidade onde nasci, Jaguarão, RS, na fronteira com o Uruguai.
A data marca uma resistência de 48 horas quando resistimos a um cerco do exército uruguaio, o que nos rendeu o título de "Cidade Heróica".
Quem quiser saber mais dessa passagem que faz parte da nossa história, leia
aqui. Alguns pontos turísticos,
aqui,
aqui (com fotos excelentes),
aqui e
aqui.
Mas o que mais me emocionou hoje ( a mim e ao marido), nos levando às lágrimas, foi a postagem que colarei agora. Leiam com carinho, porque quando eu lia, parecia ter sido escrita por mim. Retirei
daqui.
"Aprendi a te amar; oh! Jaguarão querida, quando eu era ainda a criança triste e pasmada diante da vida que não podia entender.Depois minha exaltada fantasia te enfeitou com as galas de um paraíso terreal e foste, então, o cenário. Aprendi a te amar; oh!Jaguarão querida, quando eu iluminado de minha adolescência ébria de sonhos...Tu me viste, mais tarde, trocar a deliciosa mentira desse sonho pela realidade banal que é minha vida. E eu te achei pequenina e parada, demasiadamente triste na languidez do teu silêncio...Um anseio de nômada sacudiu minh´alma. E como não pude partir em busca de novos horizontes, de criaturas e paisagens diferentes, julguei que fosses culpada do tédio que rondava minhas horas vazias.Porém, quando consegui ausentar- me de ti, senti tão intensamente o desejo de rever-te que compreendi, afinal, que partir era bom pela alegria de voltar.
Em ti, minha terra tão boa, nasceu este meu imenso amor pela natureza.Amei tanto o teu céu, o teu rio de águas mansas, teus campos e tuas árvores; senti tão profundamente a poesia dos teus poentes coloridos e de tuas noites de luar, que, às vezes, tenho a impressão de estar integrado na tua paisagem.Exulto contigo na claridade maravilhosa dos teus dias de sol e, em meu espírito, se reflete a indefinida melancolia dos teus dias cinzentos...Por isso, hoje que vou afastar-me do teu ambiente acolhedor e calmo, a lembrança de todas estas cousas, pões na minha alma um sabor de saudade antecipada e deixa uma névoa de nostalgia nos meus olhos...Não irei para longe. Mas “todas as distâncias são iguais” no instante emocional da despedida.E, ao deixar-te esta pobre página do meu diário, sinto que ela é um pedaço do meu coração que vai ficar contigo...Jaguarão, 2 de setembro de 1950."
Página literária escrita pelo professor Cléo dos Santos Severino e por ele lida em 23 de novembro de 1955 na Rádio Cultura de Jaguarão, por ocasião do centenário de elevação de Jaguarão de Vila a Cidade.Fonte: Cadernos Jaguarenses, Volume 2, Instituto Histórico e Geográfico de Jaguarão / 1998
Eu sei que a data dessa carta refere-se a uma outra data histórica do meu município, mas acho que a data mais marcante para todos nós, jaguarenses, é mesmo o dia 27 de Janeiro, nome da principal avenida da cidade - a minha cidade amada.
Eu já morei em inúmeras cidades e tive o privilégio de morar em todas as regiões do Brasil e posso dizer categoricamente: não existe céu mais bonito que o de lá. A noite de Jaguarão é um espetáculo único; o pôr-do-sol à beira-rio é outro espetáculo. Deus estava inspirado quando fez as cores daquele céu.
Não há dia que passe, sem que falemos de Jaguarão, sua calma e sua beleza, porque Jaguarão tem uma arquitetura neoclássica fantástica, com fachadas lindas e portas maravilhosas. E cada vez que entramos na BR-116, sentido norte-sul, já passando Porto Alegre, a sensação de estarmos voltando para casa, nos invade o peito.
Uau, não dá para escrever mais....
Jaguarão, eu te amo de paixão!
* as fotos que iliustram o corpo do meu blog (cabeça e pé do blog), são da Ponte Iternacional Mauá, que divide os dois países, hoje irmãos.