"A simplicidade é o último degrau da sabedoria." Gibran



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Casa da Uva - história


Essa é a minha casinha em Jaguarão, cidadezinha que fica lááá na divisa com o Uruguai.
Foi lá onde nasci e me criei.
Foi lá que ouvi as muitas serenatas que os meninos nos davam – sim, eu ouvi muuuitas serenatas da janela do meu quarto. Uma vez até encontrei o chão recoberto por pétalas de rosas e uma linda rosa presa na minha janela. Abaixo, o corredor onde fica a janela do meu quarto de solteira.


Na frente da casa tinha um pessegueiro...eu era uma macaca, vivia em cima dessa árvore. Na foto, eu e Shang, um dos meus 13 gatos. A maioria morta por algum vizinho "amoroso", todos devidamente enterrados ( com funeral e tudo) embaixo no limoeiro, lá do fundo.


Cada coisa lá, tem sua história.
Por exemplo, quando a lareira estava sendo feita, meus pais brigaram e meu pai quebrou a chaminé com marreta....rssss.
Pois é, de perto ninguém é normal...rssss.
Mas ela foi finalizada e na reforma eu a repaginei.



O nome é Casa da Uva, porque existem 3 parreiras no fundo da casa, plantadas pelo meu pai e que sempre nos abrigava com sua sombra no calor do verão.
Quem colocou esse nome foi meu filho e assim ficou.
Na reforma, botei um pergolado para sustentar a parreira e é lá que a gente gosta de tomar chimarrão.


Nesse pátio vivi grandes aventuras, entre montes de tijolos e limoeiros.
Essa casinha é pequena, tem apenas 50 m² na parte da frente, mas é onde me sinto bem. Não sei explicar, mas me sinto renovada cada vez que vou prá lá.
Acho que a vejo como um útero: é onde me abrigo e me sinto protegida.
No fundo da casa tem uma edícula, com sobrado, onde tem uma churrasqueira e que fica perto da parreira. É lá que fazemos churrasco ou fritadas de traíras, com os amigos. Lá antes, era só a garagem.


Há alguns anos eu comprei essa casa do meu pai, porque ele queria comprar uma casa em Pelotas.
Ela estava alugada, porque meu pai já morava em Pelotas. Depois, quando comprei, ela ficou vazia por um ano. Falo isso para que vcs entendam o estado lastimável em que se encontrava a minha casinha, quando a comprei.
Então eu reformei cada cantinho dela, com todo o amor que vcs possam imaginar.
...
Eu estou apresentando ela prá vocês, porque ela está sendo vendida – é um mal necessário – e isso tá me doendo muito. Eu estou escrevendo, olhando as fotos e bem... vcs imaginam.
xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Pós postagem:
Gente, tenho recebido muitas mensagens de carinho, dizendo coisas para acalentar a alma. Obrigada de coração!
Eu queria dizer que não tenho apego material a essa casa, tenho um carinho grande por causa do caminhão de lembranças que ela encerra e apenas isso.
Minha tristeza deve-se ao fato de que arrumei a casa com carinho, na expectativa de usufruir dela por mais tempo e em função dos planos que tínhamos. Mas esses planos não foram abandonados, foram substituídos por um plano maior e melhor.
...
Olha, talvez eu tenha UM apego material.
É pela parreira que dá a uva rosada, mas tenham certeza de que irei conversar com o novo dono para tirar uma muda ou enxerto...ahahah.
Beijocas a todas e mais uma vez, obrigada pelo carinho.
Paz e luz no caminho de todas.

15 comentários:

Hazel disse...

Adoro a cor dela. Imagino o que possas estar a sentir, e lamento muito, Talma.

Vim aqui para avisar que tenho um prémio para ti lá na Casa Claridade.

Beijos

margaret disse...

Imagino sim Talma. As coisas que são da nossa infancia e principalmente as que nos trazem boas recordações, são coisas que gostariamos de guardar para sempre. Mas já que é um "mal necessário", o jeito é desapegar e a vida continuar. Doi mais vai passar.
Um grande beijo pra vc... (nem elogiei a casa pra dor nao ficar maior).

Peguei na rede... disse...

Oi Talma, fico triste por vc mas, agradeça-a pelos momentos felizes q lhe proporcionou mas, chegou a hora dela fazer a mesma alegria de outras pessoas. O desapego é a porta para outras felicidades, até maiores. Lá na comunidade casa e jardim sua casa está em meus favoritos pois a arquitetura dela é muito parecida com a casa q conseguimos comprar este ano. Bem original. Agora imagine a sua casa com a edícula e a minha casa com uma outra casa nos fundos. Tanto uma quanto a outra são pequenas p/ acomodar a família então resolvemos ocupar as duas. Com a compra da casa, a grana ficou curta p/ grandes reformas e só fizemos o básico p/ a mudança. Agora, tenho um grande e destampado vão entre as duas casas mas, nos últimos 3 meses até perdi o sono pensando no período das chuvas com essa área aberta e de grande circulação. Na casa da frente ficaram os quartos, uma salinha de estar e uma cozinha p/ emergência noturnas. A movimentação principal é na casa de trás onde instalamos a cozinha integrada à copa, sala de TV, sala dos PCs, área de serviço e um quarto de bagunça. Mas estou realmente a keimar neurônios com a área entre as duas casas. Tem sugestas?

Xêro procê da Sil

Talma disse...

Hazel, obrigada pelo carinho, linda. Já vou lá dar uma olhada. Beijocas!
Margaret, vc gtem toda a razão, o melhor é desapegar. Ontem o marido me pegou chorando e perguntou se eu queria desistir da venda. Mas como eu disse, é um mal necessário, a gente tem que investir noutro lugar que nos atenda a contento, as nossas necessidades. E essa casinha não nos atende. É fofa, é arrumadinha, é cheia de conforto e bem acabadinha, mas assim como fiz ela ficar assim, acho que consigo com qualquer outra. É preciso virar a página para viver outras coisas. Mas isso é dolorido. Necessário, mas dolorido. Mas no fim, estou feliz. E parece-me, pelo desenrolar da negociação, que o comprador de fato se apaixonou pela casa, então ela estará em boas mãos. E eu seguirei meu caminho.
Obrigada pelo carinho!!

Greice disse...

Oi Talma, muito obrigada pela sua visita lá no meu cantinho viu!!
Poxa vida que triste, consigo sim imaginar o que vc esta sentindo e sinto muito viu.
A casa de fato é uma graça um verdadeiro encanto mas como as meminas disseram as maravilhosas lembranças continuaram com você, deseje que os novos moradores sejam tão felizes como voce foi nela.
Agora sobre o sótão..sabe que lendo o que voce escreveu mudei de idéia..nossa um relato emocionante..meu marido é que vai gostar..rs..
beijos menina e fique com Deus.

Sandra... disse...

Imagino Talma cuánta nostalgia te dará vender esta casa... los cambios realizados son espléndidos y me gustó leer toda su historia.
Yo también tenía un limonero en el fondo de la casa en donde me crié.
Te mando un beso grande♥♥

Lú! disse...

ai, eu já conheço a casa da uvaaa!!!
hihihihi
Amei o post!
Bjocas, e até amanhã no sorteio heim?!
:O)

Talma disse...

Sandrinha, Lu, Hazel, Greice, todas vocês que postaram aqui, obrigada pelas palavras carinhosasa.
Beijocas em todas!

Seminha disse...

Amiga, sua casa é linda, revela o quanto é linda e delicada sua alma. Mas naõ esqueça que nada nesta vida nos pertence, e que estamos aqui somente de passagem, tudo é um empréstimo para que possamos nos valer da melhor forma possível, mas que um dia teremos que devolver ao Pai. E vc a utilizou da melhor forma possível, com todo o carinho e amor que alguém pode ter para com um lar que te acolheu com tanto carinho e amor. Parabéns minha amada, por tanta sensibilidade e gentileza em sua alma. Não fique triste, pense que na casa de meu Pai há muitas moradas, e ele certamente está reservando a melhor e a que mais te fará feliz!!! =)

Luablue disse...

Oi Talma, até eu fiquei com um aperto no coração quando li seu relato e via as fotos. Imagino que está doendo se desfazer de um pedaço tão significativo e tão lindo (ficou realmente um sonho) da sua história de vida. Mas se é para dar lugar a novos e mais excitantes planos você pelo menos tem esse consolo:)
Beijos linda

Renata Mafra disse...

Talma, tem coisas na vida, que não usamos mas não esquecemos, não vemos e sempre estão em nossos pensamentos, e assim por diante.
Você se disfazer da casa, mas não das histórias que se passaram por lá, elas estarão sempre no seu coração. E por onde você andar, qd sentir um cheiro familiar, um gosto, qualquer coisa que esteja, guardadinho lá no seu subconsciente, vem tudo de novo na lembrança. Assim quero dizer que não precisamos das coisas materiais que construiram nossas histórias. Nossas histórias nos acompanha a vida toda dentro de nós.
Beijão

Danni Veloso. Art disse...

Talma querida....que post lindo...consegui sentir aqui o que vc sentiu ai, hehehehhe!! vc fez um trabalho incrivel nessa casa, mas realmente exixtem "males" necessários que nos fazem deixar aquilo que é material para tras e guardar para sempre as lembranças. Minha mae sempre me disse que ter boas lembranças da infancia nos torna adultos realizados e eu acredito nela.... Um mega bj no coração querida!!!

Vera disse...

Amo o sul e as pessoas de lá...porisso entendo perfeitamente o que vc está sentindo....não existe lugar no mundo tão caloroso, com uma atmosfera caseira, e ao mesmo tempo com pessoas fortes de caráter e compreensão de vida...sei que vc vai tirar de letra....e vai continuar curtindo as lembranças e os sentimentos que vc teve lá...isso não vai ser vendido nem dado...é só seu!
bjo

Peguei na rede... disse...

Achei!!! É q nunca me lembro dos títulos.... :D

Esse ideia de tapetes na parede é show de bola. Muito mais rico do que colocar um falso famoso, né?

Gostei.

machado josé luiz disse...

Oi Talma! Estou te conhecendo agora e creio que vamos ser bons amigos, virtual, quem sabe um dia nos conhecemos pessoalmente fizemos o encontro familiar.Gostei do blogs muito bom. Quero deixar aqui registrado meu apresso.Um grande beijo e um abraço para uma Gauchasulina em pagos nordestinos. Um chinchado abraço heroico de um jaguar.

 
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